Alan Moore é um autor de quadrinhos. Um dos maiores de todos os tempos. Ele não faz a arte gráfica, porém a especificidade alucinante de seus roteiros é proverbial na indústria em que atua: para a primeira página de Watchmen, suas instruções para o artista, Dave Gibbons, foram cerca de 700 palavras: ‘Dedos molhados de sangue, espesso e escarlate, que constroem listras num muro … vermelho berrante e brilhante contra o silencioso o concreto cinzento…‘.
Se parte dos escritores de quadrinhos nos últimos 30 anos se recuperou e reinterpretou, saindo de uma realidade aparentemente esgotada, Alan Moore foi o sumo sacerdote deste ritual pós-moderno.
Grande parte da ação em sua escrita ocorre em uma espécie de pop-cultural em um plano astral distinto, uma simultaneidade mítica
onde robôs e bruxas brancas lutam contra cientistas nazistas (Top 10), Allan Quatermain trava batalhas contra o Moriarty de Arthur Conan Doyle (A Liga Extraordinária) e Jack, o Estripador, toma chá com o Homem Elefante (Do Inferno). Colagem, pastiche, intertextualidade, enfim, o arsenal do pós-modernismo, está implantado instintivamente e são os meios pelos quais Moore ganha acesso à camada de sonho que existe em cada um.
Nasceu em 1953 em Northampton, na Inglaterra, numa família de operários, o que não lhe oferecia muitas perspectivas. Moore foi expulso da escola aos 17 anos por vender LSD. Após passar por vários empregos — incluindo em um matadouro —, ele resolveu tentar a vida como cartunista. Um de seus primeiros trabalhos foi a tira Maxwell the Magic Cat, que escrevia e desenhava para o jornal Northants Post.
No início da década de 1980, estava colaborando como escritor para
revistas em quadrinhos inglesas como a 2000 A.D. Criou as séries Skizz, D.R. and Quinch e A Balada de Halo Jones. Também assumiu a série do Capitão Britânia, para a Marvel UK. Para outra revista, a Warrior, reimaginou o clássico personagem Marvelman e lançou séries como V de Vingança e The Bojeffries Saga.
Seu desempenho na Inglaterra chamou a atenção dos quadrinhos estadunidenses. O editor Len Wein, da DC Comics, convidou-o para escrever a série do Monstro do Pântano, em 1983. A partir daí, a história é famosa: Moore reinventou o personagem, dando tons da boa literatura e do bom cinema de terror às histórias (de brinde, ainda criou o personagem John Constantine, inicialmente coadjuvante, mas que teria sua própria revista, Hellblazer). Watchmen, seu trabalho seguinte, é considerada por muitos a melhor HQ de super-heróis já criada. Já neste início de carreira, Moore era considerado uma das forças criativas mais impressionantes da história dos quadrinhos.
Após um desentendimento com a DC Comics, Moore decidiu nunca mais trabalhar com a editora. Começou uma carreira independente lançando sua própria editora, a Mad Love Publishing. Foi o único fracasso da sua carreira, devido a erros comerciais, problemas com artistas e questões pessoais.
Em meados da década de 1990, Moore estava colaborando frequentemente com a Image Comics — Spawn, WildC.A.T.S, a minissérie 1963, Supremo, entre outros — enquanto trabalhava em duas obras maiores: Do Inferno e Lost Girls. Ao final da década, a Wildstorm convidou-o a lançar uma linha própria, a America’s Best Comics, que resultou em mais cinco criações: A Liga Extraordinária, Tom Strong, Top 10, Promethea e Tomorrow Stories.
Após a Wildstorm ser comprada pela DC Comics, Moore aos poucos foi deixando a America’s Best Comics de lado. Atualmente dedica-se a
projetos especiais como as sequências de A Liga Extraordinária e uma revista underground, de quadrinhos, jornalismo e ficção, chamada Dodgem Logic. Desde que fez 40 anos, ele se diz um mago (disse claramente que enquantos alguns encaram a crise de meia idade ele abraçou a magia) e venera a divindade romana Glycon.
Quatro de seus principais trabalhos foram adaptados para o cinema: Do Inferno, A Liga Extraordinária, V de Vingança e Watchmen. Ele rejeita todos, tendo feito campanhas públicas contra os dois últimos e conseguido tirar seu nome dos créditos (o que não quer dizer que ele não tenha embolsado alguns milhões com direitos autorais). Casado com a artista Melinda Gebbie desde 2007 (com quem criou Lost Girls), raramente tira os pés de sua casa em Northampton, mesmo sendo um ícone pop mundial. Assim ele mantêm sua distância do mundo. Assim sua fama de mago cresce (como sua icônica barba). Hollywood pode perverter seu trabalho, mas seu trabalho subverte a realidade.
Veja abaixo uma lista com os trabalhos mais importantes de Alan Moore:
Quadrinhos e Graphic Novels
1986 – 1987 – Watchmen
1982 – V de Vingança
1991 – 1996 – Do Inferno
1999 – atual – A Liga Extraordinária
1983- Monstro do Pântano
1984 – 1991 – A Balada de Halo Jones
1988 – Batman: The Killing Joke
1999 – 2005 – Tom Strong
1982 – 1985 – Miracleman
1992 – 1996 – Supremo
1983 – D.R. & Quinch
1983-1995 – Skizz
1999 – 2005 – Promethea
1991-1992-2006 – Lost Girls
Romance
1996 – Voz do Fogo
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