Animação, Reviews|31/07/2011 12:52

Especial Ghibli – Arrietty

Arrietty tem 14 anos e é uma ‘pequenina’ que vive embaixo do assoalho de uma velha casa no oeste de Tóquio com seu pai e sua mãe. A pacífica e isolada vida da família é dramaticamente alterada quando a curiosa Arrietty acidentalmente se permite ser vista por Sho, um frágil porém bem intencionado garoto de 12 anos que foi morar com sua tia-avó Sadako em função de uma cirurgia cardíaca. A subsequente amizade dos dois adolescentes solitários faz com que a existência das pequenas pessoas seja descoberta, forçando a família a decidir entre ficar em sua casa já estabelecida ou sair para as incertezas do mundo.

O filme é baseado em The Borrowers da escritora inglesa Mary Norton, o primeiro de uma séria de cinco livros que contam as aventuras de uma diminuta família que leva sua vida sob o assoalho de ma grande casa e ‘empresta’ pequenos ítens das pessoas grandes para usarem em seu cotidiano. A obra é altamente fiel à história original, sendo uma das úncias diferenças a mudança da locação da história da Inglaterra dos anos 1950 para o Japão contemporâneo.

Os fãs mais fervorosos do Studio Ghibli devem sentir falta do mestre Miyazaki na cadeira de diretor, mas do ponto de vista artístico não há o que reclamar. O diretor em questão, Hiromasa Yonebayashi utiliza diferentes estilos de animação para criar o mundo de Arrietty. Da perspectiva da pequena, que tem apenaas 10 centímetros de altura, o mundo humano é quase vasto demais para ser compreendido. Para aumentar a sensação de perda de fôlego, todas os cenários (da casa ao jardim) são desenhados num impressionante estilo de aquarela apresentando todos os detalhes e deixando uma sensação de vastidão como se o horizonte nunca fosse acabar. Yonebayashi também utiliza outros recurso pra criar um contraste entre o mundo humano e o mundo dos pequeninos. A cozinha humana, quando vista pelos pequenos, é desenhada com tanto detalhe que dá uma impressão foto-realista. Em contrapartida, a casa de Arrietty é cheia de cores que pulsam em vida e imaginação.

Definitivamente, a criatividade mostrada na construção do universo dos pequenos seres, merece um reconhecimento especial. Um pequeno anzol se transforma num robusto gancho, uma pedra de tamanho médio vira um contrapeso de elevador e, ainda mais engenhosamente, uma fita dupla face permite que o pai de Arrietty escale a perna de uma mesa como um Homem-Aranha em miniatura. Deve-se admitior que Hiromasa Yonebayashi segue de perto os passos de Miyazaki, e esses flashes de inspiração provam que o lápis do mestre do Studio Ghibli nunca ficará abandonado.

Arrietty não tem Joe Hisaishi à frente da trilha sonora. Em seu lugar entrou a cantora, compositora e instrumentista Cecile Corbel, que deu um ar delicado e único à obra reforçando ainda mais o universo feminino sempre protagonista nos trabalhos Ghibli. Se comparado à A Viagem de Chihiro ou Grave of the Fireflies, Arrietty perde em gravidade e complexidade, porém sua brava heroína (como sempre) e a animação criativa conquistam e encantam qualquer audiência.

Avaliação:

Arrietty (Karigurashi no Arrietty) estreou no Japão em julho de 2010 em nos cinemas britânicos em julho de 2011. Nos EUA deve estrear em fevereiro de 2012 e no Brasil (como macaquitos que somos) alguns meses depois.

Veja o trailer britânico de Arrietty:

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