De cara já se pode dizer que Padre não deve surpreender ninguém. Paul Bettany, imitando Clint Eastwood em O Homem sem nome, surge como um matador de vampiros com estilo punk numa realidade paralela que deve salvar um familiar em perigo. O uso do 3D deve chamar a atenção das platéias, mas não salva um filme que não tem muito a dizer.
Baseado na graphic novel de mesmo nome de autoria de Hyung Min-woo, o roteiro de Cory Goodman apresenta um mundo em que humanos e vampiros (do tipo bestial, asqueroso e que não fala, grunhe) estão em guerra por séculos. Os sugadores de sangue foram supostamente dizimados no passado recente por uma ordem de padres com habilidades marciais que vivem sob controle total, assim como o resto das pessoas, numa versão semi-fascista da Igreja Católica. Assim, os humanos se sentem seguros vivendo na maioria em cidades-confinamentos com um estilo sugado (com todo o trocadilho da expressão) de Blade Runner, mas com menos cores. E o padre título que é um ex-clérigo caçador de vampiros, luta para se enquadrar numa sociedade em que seus atributos de guerreiro não são mais necessários.
Numa planície desolada, em algum lugar além das cidades, a propriedade de Owen Pace (Stephen Moyer) é atacada por uma horda de vampiros que matam sua esposa (Madchen Amick) e sequestram sua filha de 18 anos, Lucy (Lily Collins). O namorado de Lucy, o xerife local chamado Hicks (Cam Gigandet), pede ajuda ao padre ajuda pra resgatar Lucy, sabendo que ela é sua sobrinha. A Igreja, representada pelo Monsenhor Orelas (Christopher Plummer), o proíbe de auxiliar Hick já que reconhecer a existência de vampiros seria um ato de heresia. O padre o desafia e sai em busca de Lucy, viajando em motocicletas estilizadas pelas paisagens desérticas das locações do sul da California.
Orelas envia um grupo de quatro outros padres para caçar o herói, mas uma sacerdotisa (Maggie Q, a atual Nikita) decide encontrar o padre sozinha e alertá-lo. A trama se completa quando descobre-se que quem sequestrou a menina foi um ex-colegas dos padres que foi transformado no primeiro de uma espécie de híbridos vampiro-humano.
Com os efeitos especiais nas mãos de Scott Stewart (cujo Legião, também tinha Paul Bettany no elenco), Padre até consegue ser um entretenimento em seus curtos 87 minutos de duração. A produção consegue unir muitos disparates de estilos, desde Mad Max até O Caçador de Bruxas de 1968, mas sua sequência mais interessante é mesmo o prólogo animado que consegue unir estilos estéticos tridimensionais com a linguagem dos quadrinhos.
Dadas as limitações impostas pela banalidade dos diálogos, os atores até que conseguem manter a dignidade, com o protagonista mostrando certa credibilidade como homem de ação, apesar de os momentos em que sua alma torturada vem a tona é possível lembrar de seu vilão de O Código Da Vinci. Maggie Q tenta dar um ar de vulnerabilidade a um papel que lhe foi conferido por seus atributos visuais letais e capacidade de plantar bombas por aí. Cam Giganet e Karl Urban não são nada além de convenientes em suas participações. Alguns coadjuvantes como Brad Dourif e Christopher Plummer dão um certo brilho, mas como citado eles são apenas coadjuvantes.
Sem muitas surpresas, os efeitos visuais são o ponto alto do filme. Os vampiros em CGI casam muito bem com os atores reais, e são muito bem desenvolvidos criativamente, lembrando certas figuras bestiais de Francis Bacon ou os mais recentes demônios de Constantine.
Avaliação:
Veja o trailer de Padre.
Ficha Técnica
Título: Padre
Título original: Priest
Lançamento: 2011 – EUA
Direção: Scott Charles Stewart
Elenco: Paul Bettany, Karl Urban, Cam Gigandet, Maggie Q.
Duração: 87 min.
Gênero: Aventura
Os Agentes do Destino
Em filmes de ficção científica, uma certa abstração da realidade sempre é esperada, e até mesmo necessária, mas em ...
Sinceramente, eu até gostaria de assistir mas seria mais pelo fato deu ter lido o manhwa. A estória foi absurdamente adaptada, quase não se identifica nenhum elemento do original.
Eu até achei o filme ditrevido, também, não me prendi muito a estes detalhes, você falando assim ficam até bem gritantes hehehe