Animação, Reviews|23/08/2010 9:50

Sobre o discurso animado #1

Com o intuito de buscar uma democratização do conhecimento e compartilhamento das reflexões desta que vos escreve, o projeto cubo3 divulga aqui uma pesquisa relacionada às narrativas animadas, tão discutidas e festejadas neste site. Viva a cibercultura. Aproveitem!

Com o contínuo desenvolvimento das técnicas de criação de imagens digitais, vem se tornando extremamente difícil definir uma linha entre animação convencional, animação CGI e ação live action. Filmes incorporam fundos, sequencias, e até mesmo personagens concebidos por ilustradores. Essas técnicas de altíssima tecnologia também fazem parte de produções de animação propriamente dita. Em função disso os produtores têm a mão recursos capazes de criar universos únicos, realidades só possíveis no mundo animado.

Mesmo que as técnicas extraordinárias de computação gráfica tragam uma possibilidade de representar o que quer que seja, a questão crucial é saber até que ponto a tecnologia da computação gráfica contribui, difere e afeta a criação do artista de animação. Essa pesquisa se destina a investigar justamente essa não tão recente, mas controversa relação, e de que modo a intersecção das técnicas (computacional e tradicional) afetam o artista animador contemporâneo.

PANORAMA HISTÓRICO DA ANIMAÇÃO MUNDIAL

Cinematógrafo

Na história do desenvolvimento do desenho animado, o intuito de registrar o movimento do mundo remonta aos desenhos pré-históricos. Nas cavernas de Lascaux (França) e de Altamira (Espanha), encontram-se figuras de cavalos empinados, o ataque do touro e pernas de javalis em diferentes posições, representando momentos diferenciados  de uma mesma ação. A tentativa de reproduzir imagens em movimento manifesta-se também na arte grega. Certas cerâmicas do século XXI A.C. Já apresentavam movimentos sucessivos de corridas e de outras atividades físicas. Há também desenhos em baixo relevo em frisos que ilustram as etapas da procissão das Panateneias (festas realizadas em homenagem a deusa grega Atena), no Partenon de Atenas.

Somente na segunda metade do século XIX atinge-se um desenvolvimento tecnológico suficientemente capaz de criar ilusão de movimento aos olhos humanos, coma ainvenção dos primeiros equipamentos e aparelhos, como o “animatógrafo”, e o “zoótrope” (1834) – de Willian George Horner e o “fenaquistoscópio” de Joseph Plateau. Entre esses aparelhos, destaca-se ainda o “praxinoscópio” (1877)  de Émile Reynaud que, em 1892,


Zoótropo

apresentava ao público de Paris o seu “Théâtre Optique”. Nesse momento, o processo de animação de desenhos animados era muito dificultado pela exigência de produção de dezenas  molduras separadas para o relato de um simples movimento. A descoberta, utilizada ainda hoje, da estrutura dacâmera de 24 fotogramas por segundo, feita por Étienne Jules Marey, tornou possível a gravaçãofotográfica de um dado movimento, o que estimulou o advento do cinema.

Em 1895, a invenção do cinematógrafo pelos irmãos Auguste e Louis Lumiére proporcionou o desenvolvimento de um meio prático de simular omovimento dos desenhos. Nesse ponto, a história da animação confunde-se com  com ados filmes de ação ao vivo. A diferença básica entre um e outro consiste no fato de que, no cinema de projeção ao vivo, o movimento original é recriado por meio de projeção, enquanto no cinema de animação o movimento é criado sinteticamente gerando a a ilusão por meio da repetição
com pequenas e progressivas variações, manualmente construídas.

Animatógrafo

Em seu nascimento, a animação, em geral baseada nas histórias em quadrinhos da época, não contavam com grandes recursos técnicos. Por isso, esteticamente, se aproximavam ainda mais deste precursor. Os diálogos, por exemplo, flutuavam em balões amarrados è boca dos personagens. Um dos precursores, Stuart Blackton (EUA), para a a realização de Expressões Divertidas de Caras Cômicas (1906), utilizou a projeção em cinematógrafo, apresentando rostos animados com expressões distintas. A verdadeira autoria da animação é atribuída ao francês Emile Cohl, cujo filme Fantasmagoria (1908), com dois minutos de duração, empregou dois mil desenhos. Cohl também é responsável pelo primeiro filme que utiliza bonecos , realizado em 1910.

No mesmo ano de Fantasmagoria, Winsor MCay (desenhista do Jornal Americano), adapta para as telas Gertie, o Dinossauro Amestrado (1914). Iniciaram-se nesta mesma época as produções de Julius Pinschewer, na Alemanha; Berghdal na Dinamarca, Criador de O Capitão Grogg; e os ingleses Armstrong – cujo mérito consistiu em apresentar silhuetas animadas à amaneira das sombras chinesas – e Budd Fischer. Tendo criado as primeiros quadrinhos diários da imprensa (daily strip), com Mutt e Jeff , Fischer estréia no cinema animado em 1917.

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