Animação, Reviews|02/08/2010 8:14

Perfect Blue

Mima Kirigoe foi do interior para Tóquio para se tornar uma estrela da música. Conseguiu, e é uma estrela com certo sucesso no trio pop chamado CHAM. Conforme fica mais velha decide mudar a direção de sua carreira e se tornar atriz.  Esta decisão é o gatilho para uma gradual insanidade conforme as mudanças em sua imagem pública começam a impactar em sua vida privada das maneiras mais estranhas e aterrorizantes. Ela consegue o papel principal de uma série de TV e descobre que uma atriz iniciante pode se ver nas mais desconfortáveis e desafiadoras situações profissionais. O website de um suposto alega ser escrito por ela mesma, e que contém detalhes íntimos de sua vida, alega que a nova atriz Mima é uma impostora. Enquanto isso, alguém começa a assassinar todas as pessoas envolvidas em sua mudança de carreira.  Ao questionar suas escolhas e decisões , Mima começa a perder contato com a realidade, e passa a acreditar que tudo é muito mais do que apenas um novo estilo de vida. Sua imagem mudou tanto daquela jovial e inocente cantora que não há mais volta para a antiga Mima.

Perfect Blue é o trabalho de estréia de Satoshi Kon, é inteligente, direto e muito envolvente. Baseado no romance de Yoshikazu Takeuchi, mostra as influencias de Kon com muita graça e orgulho. Kon é um cinéfilo que compreende o meio termo entre os dois lados da tela ao referenciar Um corpo que cai de Hitchcock, Suspiria de Dario Argento, The Accused de Jonathan Kaplan e escritores como Philip K. Dick. O filme foi originalmente pensado para ser um filme com atores reais, mas teve sua verba cortada quando um terremoto em Kobe em 1995 destruiu o estúdio em que seria rodado. Entrou em cena a mágica da animação. E Kon trata o filme exatamente como se fosse um filme rodado em película, mimetizando truques e efeitos de câmera, e criando uma bela cinematografia que anima Tóquio com muito cuidado.

O inteligente roteiro é levado ao extremo, quando o diretor embaralha todas as linhas entre a fantasia e realidade (especialidade de Satoshi Kon), cortando todas as transições de música e imagem seriam normalmente sinais de mudança na narrativa. O espectador é deixado na incerteza, assim como os personagens, com nada além da percepção para prosseguir, nunca muito certo do que é real e do que não é.

Perfect Blue brinca com as mais íntimas idéias de identidade – de quem somos, de quem queremos que o mundo pense que somos, e do que temos medo de nos tornarmos. Também retrata o medo de se envelhecer em certas profissões. Para todos os efeitos, não é a nudez, nem a simulação de uma sequencia de estupro ou a violência que faz deste um  filme adulto. É sua inteligência sutil, artística, a dedicação de toda uma equipe, a partir de seu diretor, que faz desta uma grande obra. Satoshi Kon conseguiu trazer respeito a um gênero que poderia muito bem cair no tom repetitivo da pornografia e do suspense.

Perfect Blue nunca foi lançado no Brasil.

Veja o trailer:

Ficha Técnica

Título: Perfect Blue
Título original:
(パーフェクトブルー Pāfekuto Burū)
Direção: Satoshi Kon
Ano de produção: 1997
Estúdio: Illumination Entertainment / Rex Entertainment
Música: Masahiro Ikumi
País: Japão
Gênero: Animação/ Suspense/ Fantasia
Duração: 80 minutos

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