Marisaku Taku e Matsuno Yutaka são melhores amigos até que uma garota chamada Muto Rikako se transfere de Tóquio para a escola deles em Kochi. Ela se exclui de todas as atividades em grupo da escola, e é consequentemente taxada como esnobe. Matsuno tem uma queda por Rikako, então não é de surpreender que fique enciumado quando Morisaku e Rikako começam a passar muito tempo juntos. Os rumores pela escola aumentam embora Morisaku insista que não há nada entre ele e Rikako. Mas será que ele se sente mesmo assim?
Ocean Waves (I Can Hear the Sea, 海がきこえる, Umi ga Kikoeru) é uma produção menos conhecida do Studio Ghibli que foi lançado diretamente na TV japonesa. A direção não é do staff Ghibli e sim de Tomomi Mochizuki. O filme foi designado como uma experiência do estúdio com profissionais mais jovens e que pudessem produzir rapidamente e com um custo mais baixo, porém este projeto estourou tanto prazo quanto verba. Na época, Tonomi já estava comprometido em dirigir uma série de OVAs para outro estúdio chamada ‘Here is Greenwood’, mas por gostar tanto do romance Ocean Waves (e claro, por não querer perder a oportunidade trabalahar com o renomado estúdio), trabalhou nos dois títulos ao mesmo tempo e acabou sendo hospitalizado durante as produções em estafa.
Baseado no romance de Sacko Himuro, Ocean Waves pode ser considerado um drama que conta a história de uma amizade abalada pela chagada de um ente de interesse comum. O protagonista, Taku, narra a maior parte da história durante um vôo da universidade para casa. Ele lembra quando a bela Rikako se transferiu para sua escola abalando sua amizade com Yutaka e o colocando nas mais estranhas situações.
O filme foi animado de uma maneira amável e direta, se adequando bem ao realismo da história. O visual familiar do típico anime é produto do ideal ‘mais barato e mais rápido’ adotado nesta obra, mas muito do trabalho artístico detalhado e complexo reflete a alta qualidade embutida nas produções Ghibli. Visando uma audiência mais específica do que os épicos de fantasia de Miyazaki que agradam toda família, a história de Ocean Waves flui delicadamente bem, apesar de haver um pequeno sentimento de previsibilidade. As situações nas quais os personagens se colocam parecem muito interessantes e verdadeiras. O filme possui uma dinâmica um tanto incomum para animações. Os flashbacks de Taku é que contam tudo, seus relacionamentos, sentimentos até chegar na resolução de tudo em seu tempo atual.
A verdadeira qualidade deste filme é o senso de realismo e intimidade que cria, dando a impressão de ser uma história que pode acontecer com qualquer um. Apesar de seus apenas 72 minutos de duração o filme não se apressa. Pelo contrário, o tempo é exatamente o que o que se precisa para contar essa história. O final resolve a trama mas deixa algo em aberto para que se possa contemplar a ausência de fim definitivo que é característica da vida real. Pode-se dizer que Ocean Waves não é um clássico da Ghibli, como alguns tendem a afirmar, mas ainda assim é uma obra altamente recomendável tanto para os fãs do Studio Ghibli tanto para aqueles que apreciam boas histórias sobre a vida e seus impasses.
Apesar de nunca ter sido lançado comercialmente no Brasil, Ocean Waves é exibido esporadicamente nos canais a cabo Cinemax e HBO.
Veja o trailer:
Ficha Técnica
Titulo: Ocean Waves
Titulo Original: Ocean Waves (I Can Hear the Sea, 海がきこえる, Umi ga Kikoeru)
Direção: Tomomi Mochizuki
Ano de Lancamento: 1993
País: Japão
Gênero: Animação/Romance/Drama
Estúdio: Studio Ghibli
Duração: 72 min.
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