Animação, Reviews|07/07/2010 9:04

Especial Ghibli – Túmulo dos Vaga-lumes

A  Segunda Guerra Mundial está  perto do fim, mas os cidadãos do Japão não fazem idéia, e as bombas continuam caindo. Uma dessas bombas atinge Kobe e mata a mãe de Seita e Setsuko. O pai esta servindo no front e ninguém sabe se esta vivo ou morto. As crianças vão morar com a tia, mas Seita se vê entre os dilemas da guerra e os próprios dilemas de se ter quatorze anos, acaba indo viver com a irmã de quatro anos num abrigo anti-bombas. Inicialmente, tudo parece ser uma grande aventura, algo idílico no meio do verde com flores e vaga-lumes, mas como seus  suprimentos e dinheiro se esvaindo, e sem família para ajudar, Seita descobre que não há para quem recorrer.

Os trabalhos realistas de Isao Takahata sempre fizeram menos sucesso que os de seu colega Miyazaki, mas este filme extremamente comovente – provavelmente sua obra-prima – mostra algumas de suas melhores características. Takahata é o mestre dos detalhes realistas da vida doméstica.

Apoiado por uma animação impressionante e design impecável do talentoso Yoshifumi Kondo, Túmulo dos Vaga-lumes (Grave of the Fireflies, 火垂るの墓, Hotaru no Haka) retrata um Japão da guerra mostrando toda a atmosfera lúgubre  e ao mesmo tempo calma desta época. As bombas e dramas bélicos acontecem em algum lugar; em outro as pessoas lutam para preservar um semblante de normalidade. A habilidade de criar personagens pala atenção aos detalhes é também muito bem trabalhada. Quando Seita vai ao medico buscar ajuda para sua irmãzinha doente, podemos conhecer, em apenas uma seqüência, um bom homem em desespero por perceber que todo seu conhecimento é inútil numa sociedade em colapso.

Os conflitos quase letais com de Seita com a tia, seu temperamento que o levaria a morrer de fome antes de se desculpar, a crença de que nenhum adulto pode entender ou ajudar, a tendência de se esconder a apenas esperar pelo melhor sem enfrentar os problemas, em geral afronta os pais de plantão que assistem ao filme. A aceitação estóica da pequena Setsuko da situação e a maneira como vê o irmão como única pedra de salvação num mundo movediço é observado com delicadeza e emoção. Crianças pequenas tendem a viver apenas o momento porque é tudo o que conhecem, e a habilidade de Setsuko de se deliciar com pequenos prazeres, como o sabor das frutas ou a dança dos vaga-lumes, dão ao filme seus momentos mais belos.

O romance de Akiuki Nosaka foi baseado em suas próprias experiências durante a Segunda Grande Guerra. Um especial live action foi lançado em 2005, mas para a audiência (principalmente a ocidental), o impacto de ver uma historia tão terrível em formato animado é muito maior do que qualquer filme com atores reais pode ter. Para a maioria, animação + crianças = alegria, felicidade e diversão. Assistir ao sofrimento de crianças é algo horrível, mesmo na ficção; espera-se um final feliz para reafirmar que tudo termina bem, especialmente no fantasioso mundo da animação.

Takahata deixa os finais felizes para aqueles que não podem encarar a realidade de uma guerra, e se arrisca a mostrar a que veio logo no início do filme, para que ninguém espere que a situação desesperadora vá se alterar de alguma forma no decorrer dos próximos oitenta minutos. Com um controle perfeito, faz com que se perceba, gradualmente e dolorosamente, que uma vez que as forças da guerra são acionadas, não há como evitar que inocentes sofram.

Túmulo dos Vaga-lumes nunca foi lançado oficialmente no Brasil.

Confira o trailer:

Ficha Técnica

Titulo: Túmulo dos Vaga-lumes
Titulo Original: Grave of the Fireflies (火垂るの墓, Hotaru no Haka)
Direção: Isao Takahata
Produção: Toru Hara
Roteiro: Isao Takahata baseado no romance de Akiuki Nosaka
Música: Yoshio Mamiya
Ano de Lancamento: 1988
País: Japão
Gênero: Animação/Guerra/Drama
Estúdio: Studio Ghibli
Duração: 85 min.

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