Literatura, Reviews|29/06/2010 5:32

O Fim da Eternidade

Mais de dois mil anos atrás, o poeta romano Horácio disse que a história começava no meio das coisas.

Ciquenta e cinco mil anos no futuro a Eternidade começa. ‘Andrew Harlan entrou na cápsula.’…’Ele ajustou os controles e deslizou suavemente a alavanca de partida. A cápsula não se moveu.

Não que Andrew esperasse que a cápsula se movesse. É uma viagem no tempo. Andrew nasceu no século 95 e parte para o século 2.456, uma distância considerável mesmo para um Eterno.

A Eternidade está fora do tempo comum. Porque foi uma criação humana. Os homens que vivem neste lugar, os Eternos, são originários do tempo comum e treinados para observar e proteger o fluxo do tempo. Se algo no fluxo do tempo parece acontecer erroneamente, um Eterno intervém e o altera. Busca-se o mínimo de alterações para o máximo de respostas.

Andrew Harlan, o protagonista da história, é um técnico da Eternidade, encarregado de preservar as informações da humanidade, porém resolve abrir mao de tudo quando conhece Noÿs. Noÿs é a realização de algo que a Eternidade considera como falha. É uma mulher. As mulheres não são aceitas entre os Eternos por que por alguma razão as chances de a existência delas na Eternidade distorcer a realidade e cem vezes maior do que a de um mero homem.

Isaac Asimov

Isaac Asimov

Quando O Fim da Eternidade foi publicado em 1955, homens e mulheres ainda ocupavam posições bem distintas na sociedade. Por isso, parece normal que uma mulher no ambiente tão importante da Eternidade seja algo inconcebível. Se o livro fosse publicado hoje, essas questões seriam inaceitáveis.  Porém, o que Asimov mostra ao retratar a relação de uma indesejável mulher com um tão importante técnico da Eternidade, é justamente a fragilidade das instituições humanas frente a magnitude do tempo e das possibilidades daquilo que se entende como realidade.

Claro que há intriga na trama, planos obscuros, estratagemas. Afinal de contas Asimov era um fa de Sherlock Holmes. Pode-se ver similaridades também com o Jogo das Contas de Vidro (1943) de Hermann Hesse em numa cultura secular, certos guardiões são separados das mulheres. Também com Admirável Mundo Novo (1932) de Aldous Huxley em que as convenções da sociedade são maiores do que qualquer relação intrapessoal.

No fim, mesmo com todas as reviravoltas existenciais sobre a vida o tempo a realidade e  o que é certo e errado em determinadas épocas do mundo, O Fim da Eternidade é essencialmente um a história sobre amor. Andrew Harlan é julgado ao longo da história tanto por suas ações quanto por seus sentimentos. O que fica, é simplesmente um homem – não um ser Eterno – que aprende.

A narrativa competente de Asimov é vista em cada página na medida certa.  Toneladas de detalhes são fornecidos de modo a alimentar a imaginação. A mente e o coração – porque esta historia e sobre a razão e a emoção – são pinceladas parcialmente pelo silêncio do autor, pelo que foi dito anteriormente, e pelo que não será dito. O leitor que perceber, será recompensado. Theodore Sturgeon dizia “Ficção científica é ficção do conhecimento.” Uma verdade não só em aspectos físicos.

O Fim da Eternidade foi publicado algumas vezes por diversas editoras no Brasil, sendo a mais recente em 2007 pela Editora Aleph.

Leia as primeiras páginas de O Fim da Eternidade de Isaac Asimov:

Ficha Técnica

Título: O Fim da Eternidade

Título original: The End of Eternity

Autor: Isaac Asimov

Tradutora: Susana Alexandria

Editora: ALEPH

Ano Edição: 2007

Qtde. Páginas: 256

Idiomas: Português

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