Quadrinhos, Reviews|07/12/2009 12:03

Breakdowns – Maus é pouco.

breakdows_capaMe concentrar em um assunto específico é difícil simplesmente porque é muito doloroso. Ainda assim eu sinto que é importante que eu enfrente estes demônios.
Era assim que Art Spiegelman se sentia em 1978.

Lidar com o trabalho como forma de terapia (mais barato!), era lidar com o fato de que seus pais sobreviveram ao Holocausto, e como ele sobrevivera a vida em família. A enorme obra Maus levou mais de uma década para ser concluída, porém mudou  a maneira como as pessoas viam os quadrinhos, ou as graphic novels. Também transformou Art Spiegelman de um obscuro cartunista num famoso ganhador do Prêmio Pulitzer (em 1986).

Breakdowns é na verdade uma coletânea de altíssimo luxo, apresentando 13 hsitorietas anteriores a Maus. O título sugere tanto as crises existenciais do autor quanto aqueles rascunhos preliminares de um estudo para quadrinho. Entre elas há um protótipo de Maus, criado quando ele tinha 24 anos, para a Funny Animals, um título underground que subvertia toda e qualquer inocência dos quadrinhos. Aqueles ratos judeus e gatos nazistas, com uma aparição da narração do pai, já eram idéias embrionárias.

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Outra coisa revelada nos esforços iniciais de Spiegelman em Breakdowns é a busca pela densidade, experimentações e teorização que se pode ver desde as colagens em “A suíte da Negligência” até o contraponto de Raymond Chandler e Pablo Picasso em “Bem Hasno – Detetive de Bolso”. A frente de seu tempo, estes exercícios voaram pelas mentes da maioria de seus seguidores. Hoje podem ser vistos como trabalhos que romperam barreiras. Alan Moore e Chris Ware citam estas obras como inspirações.

Assim como nossas próprias memórias são fluidas, estas vinhetas autobiográficas, vagam pelo tempo e por vário estilos recriando momentos que formaram e deformaram o autor. Da infância vieram os prazeres de descobrir o mundo dos quadrinhos, principalmente a Mad de Harvey Kurtzman, e de começar a produzir suas próprias histórias; as lições de inadequação no playground; os pesadelos provocados pela leitura de Alice no País da Maravilhas, e as neuroses transmitidas por seus pais. Estas marcas ficam por toda a vida adulta.

Neurótico, genial, ou ambos, Spiegelman continua sendo um analista implacável de si mesmo e da mídia que o adora, embora seus trabalhos ofereçam a todos um pequeno conforto – ou clausura.

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