Os Yamadas são a típica família japonesa. A vovó Shige mora com a filha Matsuko, uma dona de casa, o genro Takashi, um simples trabalhador classe média, o neto Noburu, e a netinha de quatro anos Nonoko. Durante os eventos diários de suas vidas, assim como alguns sonhos e fantasias, podemos ver o cotidiano desta família e perceber que ninguém é realmente comum e normal. Baseado no mangá de Hisaichi Ishii, a narrativa transcorre numa série de vinhetas sobre os incidentes do dia-a- dia, trapalhadas e memórias salpicadas de elementos visuais, músicas e flashes de comédia.
Este é o exemplo de um filme simples, em que o estilo casual resulta em uma obra de técnica extraordinária. A combinação de traços tão suaves que parecem esboços e cores pastel seria impossível numa animação mais convencional. Um controle preciso da interpolação das cores e suas dissoluções, só poderia mesmo ser conseguido através da manipulação por computador. Porém, o expectador nunca duvidará que uma pessoa, não uma máquina, está no controle do processo. Isao Takahata utiliza a computação como uma sofisticada paleta de cores, mas as idéias e invenções surgem na tela a partir de sua imaginação; a tecnologia simplesmente propicia o alcance do objetivo. A sequência com as quatro tiras de quadrinhos ficam muito vivas na tela enquanto os personagens saltam numa mistura de inovação e energia. Utilizando o espaço como negativo e “pinceladas” quase minimalistas, alterando os estilos conforme o humor requer, emprestando elementos de obras de arte, grandes cineastas, brinquedos de criança e programas de TV, Takahaka conseguiu produzir o filme mais inovados da Ghibli até a data (1999).
Apesar do fato de que o estilo de vida retratado vem mudando gradualmente, com mais donas de casa trabalhando, mais idosos vivendo independentemente, e menos pais sendo o único sustento da família, este parece ainda ser o retrato da maioria das famílias japonesas. Talvez mais importante, o retrato da família que muitos, principalmente os mais velhos , gostariam de ter. O Japão pós-guerra correu para se modernizar, enterrando muito de seu passado tradicional, e Takahaka é apenas um dos muitos diretores a apontar que isso não é necessariamente progresso. Assim como Hayao Miyazaki recriou a infância no campo que muitas gerações de crianças urbanas nunca conheceram em Meu Vizinho Totoro (My Neighbor Totoro – となりのトトロ Tonari no Totoro), Takahaka recria com os Yamadas o sonho da família simples e comum – irritante, divertida, impossível as vezes, mas sólida como uma rocha e um paraíso para aqueles que veêm o próprio futuro se transformando de rocha a areia.
Ficha Técnica
Meus Vizinhos os Yamadas – My Neighbors the Yamadas
Título Original: ホーホケキョとなりの山田くん Hōhokekyo Tonari no Yamada-kun
Gênero: Animação/Comédia
Tempo de Duração: 104 minutos
Ano de Lançamento (Japão): 1999
Direção: Isao Takahaka
Estúdio: Studio Ghibli
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