Animação, Cinema, Reviews, Reviews|02/09/2009 12:34

Renaissance

renaissance-poster2054 – Uma Paris labiríntica onde tudo o que acontece é controlado e filmado. Ilona Tasuiev, uma jovem cientista invejada por todos pela sua beleza e inteligência, é sequestrada. Avalon, a empresa onde trabalha Ilona, pressiona Karas, um policial controverso, especializado nos casos de sequestro, para encontrar, o mais depressa possível, a jovem desaparecida. Karas logo se sente perseguido. Definitivamente, não é o único no encalço de Ilona, e os seus perseguidores parecem prontos a tudo para chegar na frente. Encontrar Ilona torna-se então vital: a jovem é o objeto de uma guerra oculta que a ultrapassa; ela é a chave de um protocolo do qual depende futuro da humanidade – o Protocolo Renaissance…

Toda a produção é feita em alto contraste de preto e branco (o contraste é tamanho que chega a causar a ilusão visual de cinza) e combina perfeitamente com a atmosfera quase sinistra do roteiro. Procurando fugir do “live action” tenta produzir um estilo requintado de graphic novel animada. Juntamente com Sin City (2005), é talvez a mais pura evocação do visual das histórias em quadrinhos no meio audiovisual.

A ambientação futurista fornece uma ampla oportunidade para todo tipo de inovações, como construções elevadas, propagandas e obras de arte holográficas, calçadas de vidro, trajes de invisibilidade e tantos outros. Os próprios personagens são baseados em uma técnica digital conhecida como “motion capture”- esta técnica consiste no uso de atores de carne e osso usando fatos com marcadores que refletem todos os movimentos do ator e que serão captados por computador. Isso tudo gera uma dose extra de realismo aos movimentos e interação com o cenário.
Entretanto, o próprio estilo da animação parece ser causador de vários problemas. Em razão da eliminação de todos os tons de cinza nos rostos (apesar do esforço visto nas bocas e olhos), todos parecem privados de expressões faciais. As vozes tentam dar a o tom das emoções, porém acabam por criar um efeito ainda mais adverso. Os diálogos são densos e profundos, pendendo à um discurso filosófico, o que torna ainda mais difícil encontrar uma verdadeira “personalidade” nos personagens. Em geral as pessoas baseiam o reconhecimento de emoções tanto nas expressões quanto na força dos diálogos. O fato de uma dessas fontes estar suprimida causa uma certa dificuldade de conexão entre personagem e espectador.
A identidade visual e todo seu design arrojado, são inquestionavelmente marcantes. Contudo há que se questionar se com toda a tecnologia CGI, esta produção não seria melhor concretizada como um “filme de verdade” (live action).
Renaissance eventualmente traz reflexões, como com a frase “Sem a morte, não há sentido para a vida”. Ironicamente, não pode-se afirmar que algum dos personagens demonstre vida.

Ficha Técnica

Título Original: Renaissance
Gênero: Animação
Tempo de Duração: 105 minutos
País: França / Inglaterra / Luxemburgo
Ano de Lançamento: 2006
Direção: Christian Volckman

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